ENTRE O ESTADO E O MERCADO, O VERDADEIRO DEBATE DAS ELEIÇÕES DE 2014

ENTRE O ESTADO E O MERCADO, O VERDADEIRO DEBATE DAS ELEIÇÕES DE 2014

Escrito por: Marcello Azevedo Secretário de Relações do Trabalho da CUT RJ Publicado em: 21/08/2014 • Última modificação: 28/04/2015 - 17:39 Publicado em: 21/08/2014 Última modificação: 28/04/2015 - 17:39

O grande debate eleitoral deste ano coloca novamente a discussão entre o Estado e o mercado como condutores do projeto de País. O debate não tem aparecido de forma clara principalmente por parte dos defensores do mercado, como o PSDB em especial e a candidatura Marina Silva, pois ambos têm em sua equipe econômica adeptos e defensores da lógica de que o mercado deve conduzir os rumos do país e que cabe somente ao Estado o papel secundário de garantir o bom funcionamento do mercado. E, mais do que isso, garantir a propriedade privada e políticas sociais focadas somente em áreas específicas, ou seja, naquelas áreas onde o mercado é insuficiente ou não tem interesse.

Tal defesa do mercado mesmo que feita com diversas cortinas de fumaça e com diversos nomes é bem clara. Os defensores do mercado atacam a saúde pública, a educação pública, as empresas públicas, pois têm no seu ideário que estas áreas devem ser entregues a iniciativa privada e ao mercado. A comparação feita por seus defensores tentando equiparar comunismo e fascismo como fossem coisas iguais não é uma burrice histórica, mas na verdade é uma análise feita por Hayek, o pai do neoliberalismo, segundo o qual todo governo que se utilizasse do Estado para planejar e interferir na economia seria autoritário e que a real democracia seria a do mercado e da livre iniciativa. No livro “O caminho da servidão”, o mesmo autor coloca claramente que se os agentes econômicos não puderem dispor livremente dos seus meios que se cancele a democracia.

O projeto de País destes setores é o Estado mínimo, da economia de mercado, do desmantelamento do Estado e das políticas sociais e a volta do Brasil a um papel de submissão no cenário internacional. São contra todas as políticas sociais pois são defensores ferrenhos de que as pessoas nascem iguais e que o esforço individual é que leva as pessoas ao sucesso e não as condições históricas dadas que influenciam a vida das pessoas. O ideário deste setor é o mesmo do banco mundial de 1991, ou seja, a receita da era FHC e atualmente em curso que na Europa tem causado desemprego e crises sem precedentes. O projeto deles é a primazia do mercado sobre o Estado e as pessoas onde o lucro está acima da vida e dos direitos. O “deus Mercado” que tudo resolve, essa é a fábula triste do legado liberal. A velha farsa da livre concorrência. O foco central deles é “combater” a inflação com altas taxas de juros e contendo o consumo, ou seja, quem paga a conta é a classe trabalhadora com seus empregos e direitos.

Entendemos, porém, que o caminho é outro. Achamos sim que o Estado deve ser indutor da economia, inclusive intervindo sempre que necessário para garantir o desenvolvimento econômico e social, com distribuição de renda com emprego e direitos e com os pais focados não só no controle da inflação, mas na geração de empregos, renda e direitos. Achamos que é possível crescer com foco na produção e no consumo e reduzindo ainda mais os juros e incentivando a indústria e a soberania nacional.

O debate central é este. Há os que defendem o Estado como indutor do desenvolvimento baseado na geração de empregos, aumento da produção e dos direitos e intervindo para aumentar o espaço público na saúde, educação, emprego, previdência e empresas publicas. Me incluo neste campo dos que defendem o Estado forte e agente propulsor do desenvolvimento para a maioria do povo brasileiro em detrimento dos interesses do mercado e daqueles que querem levar o Brasil a ser o que fomos na década de 90 e início dos anos 2000: o país do desemprego, da miséria, da privatização e da hegemonia de mercado. O verdadeiro debate é entre os defensores do Estado e do mercado ou, sintetizando, entre o povo e o lucro.




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