O POVO NÃO É BOBO, ABAIXO A REDE GLOBO!

O POVO NÃO É BOBO, ABAIXO A REDE GLOBO!

Escrito por: Sindipetro-RJ - Editorial do jornal Surgente Publicado em: 15/08/2014 Publicado em: 15/08/2014

Na década de 1990 os trabalhadores brasileiros travaram uma dura batalha contra as privatizações criminosas de Fernando Henrique Cardoso (FHC). Foram verdadeiras batalhas campais na Praça XV, no Rio, entre policiais e manifestantes. Parte das negociatas que marcaram essa fase estão relatadas no livro do jornalista Amaury Ribeiro Junior, “ A Privataria Tucana”. Diga-se de passagem, denúncias jamais investigadas.

Assim como não foram investigados o escândalo do metrô de São Paulo, que envolve governos paulistas de Mario Covas a Geraldo Alckmin; a negociata da compra de ambulâncias, conhecida como o caso “sanguessugas”; e o emblemático mensalão tucano: tudo foi devidamente engavetado, para usar um termo comum na época do Procurador Geral da República da era FHC, Geraldo Brindeiro. 
O papel da mídia, em todos esses casos, foi de cumplicidade e silêncio. Sobretudo a Rede Globo ajudou a promover a entrega patrimônio público. Empresas como a Vale do Rio Doce, Usiminas, Embratel e outras foram doadas ao capital internacional.

A Petrobrás não escapou de uma campanha caluniosa, promovida principalmente pela Globo, preparando o terreno para justificar a privatização. Mas, nesse caso, a reação dos trabalhadores foi contundente. Os privatistas conseguiram “comer pelas beiradas” empresas do Sistema Petrobrás, mas a holding foi preservada. Os petroleiros fizeram uma greve de 32 dias que não foi apenas por salário. Foi, sobretudo, para impedir a privatização. Na época, 100 trabalhadores foram demitidos. Houve centenas de punições e demissões em todo o país. O governo FHC promoveu uma intervenção nos sindicatos, obrigados a pagar multas de R$100 mil por cada dia de greve. Trabalhadores de categorias diversas e estudantes apoiaram fortemente o movimento. O país vestiu-se de adesivos “Somos todos Petroleiros”.

Naquela época, como agora, diante das mobilizações que atingiram o ápice em julho-julho do ano passado, o papel da mídia grande foi deplorável. Mas a manipulação das notícias, em favor do establishment, foi alvo de protestos. Nós, petroleiros, com apoio de outras categorias e dos estudantes, fizemos uma passeata em frente à sede da antiga TV Manchete, na Glória, e outra na porta da TVGlobo, no Jardim Botânico. 
No ato da Globo a população festejava a nossa passagem, jogando papel picado pelas janelas. Na Manchete conseguimos uma importante vitória. O então diretor de jornalismo, Renato Machado, concedeu direito de resposta aos manifestantes. Pudemos rebater a campanha insidiosa que comparava as estatais, inclusive a Petrobrás, a paquidermes ociosos.

Em resposta a esses ataques, a Petrobrás e seus trabalhadores anunciaram a descoberta do pré-sal, permitiram a retomada da indústria naval, viabilizaram o financiamento de mais da metade das obras do Programa de Aceleração do Crescimento – PAC, a construção do Comperj e de mais quatro refinarias.

Mas os algozes não descansam. Recentemente, aliada às forças mais reacionárias do país, as Organizações Globo contra-atacaram. O alvo foram o Sindipetro-RJ, Sindsprev e Sepe-RJ, caluniados com base em citações contidas num inquérito policial confuso, de mais de duas mil páginas, que culminou com a prisão de 28 ativistas. O estranho é que nem os advogados dos réus conseguiram acesso aos autos. Ao contrário do jornal O Globo. Tantas foram as barbaridades jurídicas que os ativistas conseguiram ser liberados da prisão, pelas mãos do juiz Siro Darlan.

Além dos sindicatos citados, também o Sindicato dos Jornalistas do Município do Rio de Janeiro está na mira das Organizações Globo, vítima de uma campanha difamatória e tendenciosa, provavelmente por atuar com firmeza no defesa dos interesses profissionais e por lutar pela democratização da mídia.

Aliás, a manipulação grosseira da informação praticada pelas Organizações Globo ficou evidente na reportagem transmitida pelo Jornal Nacional – JN que ataca o Sindipetro-RJ, inclusive citando gravações telefônicas feitas pela “justiça”. Mas não divulga a entrevista que fez com o nosso coordenador de imprensa, que se contrapõe às mentiras divulgadas.

Segundo informação dos advogados do processo, todos os telefones do Sindipetro-RJ estão “grampeados” pela policia. A julgar pela matéria do JN, tudo é repassado à TV Globo, numa cumplicidade mafiosa.

É de estranhar que os crimes cometidos pelas Organizações Globo, como a sonegação dos impostos referentes à transmissão da Copa-2002 e os depósitos em paraísos fiscais, não venham a público. Já a doação de quentinhas e água mineral pelo Sindipetro_RJ a movimentos sociais vira de notícia deturpada e sensacionalista.

De fato, o Sindipetro-RJ aprovou apoio às greves dos garis e professores, às manifestações em defesa do Museu do Índio, do Estado de Atletismo Célio de Barros, do Parque Aquático Júlio Delamare, da manutenção da Escola Municipal Friedenreich. Além disso, financiamos o transporte dos manifestantes que participaram do ato contra o leilão de Libra, na Barra da Tijuca.

O jornal o Globo chega a acusar o Sindipetro-RJ de “dar comida a índio”. Como assim? Repudiamos com veemência a forma preconceituosa e tosca como a reportagem se refere ao Sindicato e aos Índios.

Além do Sindipetro-RJ, a Globo tenta criminalizar o Sepe-RJ, o Sindsprev, e agora o próprio Sindicato dos Jornalistas. Sim , estivemos junto aos os movimentos que promoveram os “Ventos de Junho” e que mobilizaram milhões de brasileiros. No Rio de Janeiro, a maior passeata reuniu mais de um milhão de pessoas na Avenida Presidente Vargas, a princípio, a pretexto da luta pelo “Passe Livre”. Mas as lutas foram além de junho de 2013. Esticaram-se no tempo, envolvendo outras bandeiras.

A Globo quer calar os sindicatos e os movimentos sociais, talvez com saudades da ditadura à sombra da qual cresceu, se agigantou até tornar-se um dos principais instrumentos de controle dos corações e mentes. Mas para mostrar que, apesar de todo o seu poder de manipulação, a rede dos Marinho já não engana mais ninguém, nas passeatas que voltaram às ruas, desde o ano passado, a palavra de ordem mais repetida pelos jovens é a mesma dos sindicalistas que resistiam às privatizações, na década de 1990: “O povo não é bobo, abaixo a Rede Globo!”




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