REFORMA POLÍTICA PARA A REAL DEMOCRACIA

REFORMA POLÍTICA PARA A REAL DEMOCRACIA

Escrito por: Marcello Azevedo Secretário de Relações do Trabalho da CUT RJ Publicado em: 29/08/2014 • Última modificação: 28/04/2015 - 17:39 Publicado em: 29/08/2014 Última modificação: 28/04/2015 - 17:39

Hoje no Brasil temos 35 siglas partidárias nas disputas eleitorais. Ao contrário de parecer uma floresta da democracia, é na verdade a sua negação em seu conteúdo mais profundo, ou seja, o de governo do povo. A atual estrutura política esconde, na verdade, os interesses cada vez mais particularistas em detrimento do povo. O povo é a maioria da sociedade e a política está cada vez mais particularizada. Assistimos a pessoas e grupos que trocam de partido e de programa (quando tem) como trocam de roupa apenas para buscarem a sua eleição. O proliferar de siglas partidárias está ligado ao fato da estrutura política favorecer isso e fulanizar o debate. Hoje o que assistimos é um mar de coligações as mais estranhas possíveis com programas antagônicos e históricos conflitantes em nome da eleição.

O que na verdade está por trás disso? A verdade é que a democracia está sendo soterrada a cada dia por elementos que em seu nome se apropriam e defendem os seus interesses em contrário aos da maioria. Montar uma sigla partidária e não um partido, pois para ser partido de fato tem que ter programa, virou um grande negócio pois traz a possibilidade de atrair políticos descontentes e oportunistas e com isso aumentar o seu preço em negociações partidárias. Ter um partido hoje permite não só lançar candidatos, mas também negociar tempo de televisão, apoio financeiro, financiamento privado e espaços no governo, seja ele qual for. São organizações partidárias de negócio em sua grande maioria. Os interesses desses grupos somados aos dos financiadores e outros não democráticos fazem da democracia um meio para atingir os seus fins.

O poder financeiro, os interesses particularistas e obscurantistas se somam a outros dois poderes que abominam a democracia como os grandes meios de comunicação e os certos setores do poder judiciário nesta empreitada de interesses. A democracia deles é o direito de fazerem o que quiserem, com quem quiserem, para atingir os seus objetivos.

O financiamento privado é o maior indutor da corrupção, pois os empresários não financiam campanhas mas na verdade fazem investimentos que serão recebidos quando da eleição majoritária e na proporcional para que suas empresas vençam “licitações” ou quando projetos ou políticas de seu interesse forem votados ou implementadas. O financiamento privado é o câncer da política. Com o financiamento privado de campanha voltamos a velha política do império Brasileiro onde só se elegia quem tinha renda, basta constatar que 70% dos atuais deputados são ligados ao empresariado, latifúndios e rentistas que representam 5% da população ou menos, mas que decidem pelos 100%, ou seja, a minoria rica que decide sobre o resto. Partidos de opinião e de militância política ficam cada vez mais com mais dificuldades de conseguirem se fazer representar neste jogo eleitoral.

Empresários podem investir, meios de comunicação podem inventar, os meios de comunicação podem e se posicionam em prol de certos candidatos, mas os movimentos sociais e entidades sindicais não podem dar o mesmo apoio aos seus candidatos e posições ou seja para os donos do capital tudo pode.

Precisamos mudar tudo isso pois a real democracia não existe hoje, precisamos de uma reforma política profunda feita por pessoas e entidades e partidos numa constituinte exclusiva com financiamento público exclusivo que dará ao povo o direito real de governar numa verdadeira “Demo Cracia”, poder do povo. Todos ao plebiscito popular pela reforma política e pela constituinte, pois quem sabe faz a hora não espera acontecer.




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