Contexto Histórico e Consolidação Política

A CUT se constitui no Rio de Janeiro dois anos após o seu congresso nacional de fundação, realizado em 1983. Portanto, a primeira direção inicia seu mandato em 1986. Segundo o Caderno "RESOLUÇÃO DO IV CONGRESSO ESTADUAL DA CUT/RIO DEJANEIRO", naquela conjuntura, o nome CUT e tudo o que ela representa, tem inegável crescimento no processo de ruptura com a estrutura sindical pelega e corporativa. Desde 1983, nas lutas contra a ditadura, pelas eleições diretas, contra o arrocho salarial, onde o Rio de janeiro foi grande palco de manifestações, a CUT-RJ esteve presente, consolidando um pólo classista e combativo, organizando as oposições sindicais, e dirigindo as lutas categorias importantes, como bancários, professores estaduais, médicos, trabalhadores rurais. A vitória da chapa cutista, em 1986, no sindicato dos metalúrgicos do Rio de Janeiro, cujas direções eram notoriamente pelegas, foi a afirmação do novo sindicalismo no Rio. A partir de 1985, já no contexto da Nova República, em reação ao Plano Cruzado, o centro do Rio é palco das manifestações organizadas pela CUT, contra Sarney. Contra a CUT-RJ, nesse episódio, o aparelho repressivo estatal usou contra a CUT a Lei de Segurança Nacional, tendo seus principais dirigentes enquadrados. Com uma intervenção classista, o crescimento se consolidou tanto nos sindicatos urbanos quanto nos rurais, é o caso de Cabo Frio, Barra Mansa, Cachoeiras de Macacú, Campos, Niterói, Nov a Friburgo, Nova Iguaçu, Petrópolis, Volta Redonda, Valença. Entre 1985 e 1988 chapas cutistas venceram as eleições em 30 sindicatos importantes do Rio, na gestão de 1987/1988 esse salto foi de 13 para 32 sindicatos com a bandeira da CUT-RJ, como: Jornalistas do Rio,Construção Civil de Volta redonda, Telefônicos do Rio, Têxteis de Paracambi, Desenhistas, Eletricistas da Marinha Mercante, Médicos, Metalúrgicos do Rio, Metalúrgicos de Niterói, Metalúrgicos de volta Redonda, Metalúrgicos de Angra dos Reis, Arquitetos,  Assistentes Sociais, Correios, Previdência Social, Bancários do Rio, SEPE, servidores da UFF, da UFRJ, Vidreiros, Processamento de Dados,  Ferroviários da Central do Brasil, Metroviários, Laticínios, Borracheiros, Coureiros, Químicos do Rio, Químicos da Baixada, Comerciários de Nova Iguaçu. (Caderno de Resioluções do IV CONGRESSO ESTADUAL CUT-RJ) Entre os trabalhadores rurais a bandeira da CUT-RJ passou a dirigir 13 sindicatos, tais como Cabo Frio, Piraí, Cassimiro de Abreu, Pirai, Valença, Parati. A partir de 1987 a CUT-RJ também passa a intervir nas políticas públicas de saúde, organizando o primeiro Encontro Estadual de Saúde do Trabalhador, participando destacadamente no Encontro Nacional. Já desde 1986 a nossa central passa a investir na formação política de dirigentes, realizando cursos em convênios ou parcerias com o Núcleo 13 de Maio, o Instituto Cajamar, A UERJ. O eixo da formação tem uma abordagem classista, socialista, de análise da luta de classes, de combate ao capitalismo e de organização política dos trabalhadores para as lutas de massas. Os cursos de Concepção, Estrutura e Prática Sindical – CEPS, e de Planejamento, Administração e Gestão Sindical, para formar dirigentes na concepção sindical cutista e para a administração da estrutura sindical, em processo de consolidação. A formação ideológica tem grande importância nesse contexto. A CUT-RJ era composta de 8 correntes de matrizes combativas, socialistas e classistas, naquele contexto histórico (as principais eram a Articulação sindical, CUT pela base (composta por diversos grupos marxistas, socialistas, como a Democracia Socialista), Convergência Socialista (que mais tarde originaria o PSTU), Coletivo Gregório Bezerra/Partido da Libertação Proletária, O Trabalho). No IV CONGRESSO ESTADUAL DA CUT-RJ, entre 28 e 30 de Agosto de 1987, estavam presentes 724 delegados, sendo 138 de diretoria e 586 de base, realizadas 43 assembléias oficiais, e 19 de base (oposições cutistas. 63 sindicatos representados, em nome de 1.536.842 trabalhadores do RJ. Foi o maior congresso na fase de construção da nossa central no RJ. Na virada das décadas 1980/1990 (entre 1989-1992) a história mundial e brasileira sofreram profundas alterações. A crise da URSS se aprofundou, com seu desmantelamento político e geográfico. A queda do Muro de Berlim e o fim da guerra fria. O avanço do neoliberalismo, principalmente na cauda da crise do socialismo real. A América Latina experimentou uma traumática transição de ditaduras militares e governos neoliberais. O FMI passou a monitorar e a ditar as políticas econômicas e sociais em quase todos os países. No Brasil foi a vitória de Collor foi o início da construção do neoliberalismo no Brasil. No Rio de Janeiro, a década de 19990 foi palco dos enfrentamentos contra as privatizações das estatais. A CUT-RJ, já dirigindo cerca de 70 sindicatos, é a vanguarda dessa luta. Anteriormente, nas greves gerais, contra os planos Cruzado, Bresser e Collor, a CUT-RJ organizou os piquetes, a completa paralisação dos transportes públicos urbanos, o fechamento dos bancos, a paralisação das grandes fábricas. Na década neoliberal (1991 a 2000) A CUT-RJ se consolidou, passando a dirigir cerca de 158 sindicatos, do campo e da cidade, do setores privados, estatais (com petroleiros de Caxias, Rio, Macaé/Campos) e públicos( praticamente todas as categorias do funcionalismo federal, NO Rio de Janeiro,  se filiaram à CUT-RJ). Se consolidou nas universidades, nas categorias de serviços, nos rurais com a filiação da FETAG ampliou sua força.Em 1991 a entrada do PCdoB (Corrente Sindical Classista), e logo após do PCB, consolidaram o pólo combativo do sindicalismo, que passou a contar também com os sindicalistas ligados ao PSTU. A partir de 1994 acirrou-se o enfrentamento contra as políticas neoliberais, agora no governo neoliberal e entreguista de Fernando Henrique Cardoso, os leilões de privatizações das estatais foram palcos de guerra dos trabalhadores, dirigidos pela CUT, contra as tropas policiais do Estado e federais, a consolidação de secretarias e atividades voltadas para Meio Ambiente, Anti Racismo, Saúde do Trabalhador, Políticas Sociais, Formação (em parceria com a Escola Sindical 7 de Outubro, em Belo Horizonte, foram realizados 11 cursos de formação de dirigentes, em Concepções e Estruturas Sindicais, Planejamento Estratégico, Transformações no Mundo do Trabalho, Educação Profissional, Capacitação de Conselheiros de Políticas de Emprego, Trabalho e Renda, e em parceris com universidades e centros de formação, organizando um Coletivo Estadual de Formação, com participação de centenas de formadores, pesquisadores, militantes e dirigentes sincdicais). A área de comunicação sindical se tornou referência publicando o Jornal Conquista e o boletim eletrônico "Rápido", que fazem parte da história e do patrimônio político de nossa central. No período de 1995 a 2002 a CUT-RJ enfrenta problemas, o desemprego, ou o medo dele, afasta os trabalhadores dos sindicatos, o ambiente de competitividade, individualismo e ataque aos sindicatos, empreendidos pela ideologia e políticas neoliberais, afetam a estrutura sindical. Desindicalizações de trabalhadores, privatizações generalizadas, recessão econômica. Tudo isso enfraquece a luta coletiva e mobilização sindical. Muitos sindicatos ficam inadimplentes, com sustentação financeira precária dos sindicatos, e por conseqüência, da CUT-RJ. Em 2004 o PSTU decide sair da CUT e fundar a CONLUTAS, em 2006 os sindicalistas vinculados ao PSOL decidem pelo mesmo caminho. Em 2007 a Corrente Sindical Classista escolhe fundar uma outra central sindical, a CTB. Em junho de 2006 toma posse Neuza Luzia Pinto, a segunda mulher na presidência da CUT/RJ, é a trabalhadora da Universidade Federal do Rio de Janeiro, militante feminista e socialista, dirigente do SINTUFRJ. A tarefa central da direção da CUT/RJ no período 2006-2009 é resgatar a participação dos sindicatos no processo de elaboração e execução das políticas da Central, fortalecer os sindicatos do interior, dar importância fundamental à formação política dos dirigentes e militantes, numa conjuntura de confusão e fragmentação enfrentado pelo movimento sindical, reorganizar o trabalho de base, fortalecer as oposições sindicais, defender a CUT e seus sindicatos dos ataques dos governos, dos patrões e dos divisionistas, estar presentes nas grandes lutas da classe trabalhadora, contribuir para conquista de políticas sociais, defesa e garantia dos direitos trabalhistas. A CUT/RJ é um patrimônio dos trabalhadores e trabalhadoras do Rio de Janeiro. Uma organização que tem história, raízes, princípios e projeto político, um produto coletivo de milhares de homens e mulheres, de diferentes opções políticas, origens étnicas, orientações sexuais, credos religiosos distintos, que se dedicam a lutar pela emancipação dos trabalhadores, avançar nas conquistas de direitos, construir uma sociedade justa, solidária e socialista, um Estado democrático e sob direção dos trabalhadores.  



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