Darby Igayara faz balanço da gestão na CUT-RJ

Darby Igayara faz balanço da gestão na CUT-RJ

Entrevistado(a): Darby Igayara

Escrito por: Por Renata Silver / Feeb-RJ/ES

Publicado em: | Atualizado em:

O bordão “show de bola” é uma marca de Darby Igayara, presidente da CUT-RJ. Tanto que, se uma de suas falas não for encerrada com ele, a audiência pede. E os discursos de Darby são ouvidos atentamente em todo o Rio de Janeiro, capital e interior. Nos últimos três anos, o sindicalista viajou por todo o estado, visitando sindicatos cutistas das mais diversas categorias, reaproximando a central de sua base.

Botar o pé na estrada surtiu efeito e a CUT se fortaleceu na gestão de Darby. A interiorização foi forte, com intensificação da presença junto a sindicatos de todo o estado. “Os sindicatos respondem a isso, estão recebendo mais atenção de nossa parte e dando retorno”, ressalta o presidente. Outra vitória foi a reaproximação com sindicatos que estavam distanciados, como o dos enfermeiros e dos auxiliares e técnicos de enfermagem, além da reafirmação da parceria com sindicatos já bastante próximos. “Não perdemos nenhuma eleição para chapas não cutistas em sindicatos como o dos radialistas, bancários, petroleiros do Rio, Norte Fluminense e Duque de Caxias, Sinttel, nos rurais, da construção civil de Angra, da construção pesada de São Gonçalo”, cita o sindicalista. Darby destaca ainda que houve filiação de sindicatos à CUT, como o dos Estivadores – hoje, quase todos os sindicatos de trabalhadores portuários são cutistas. Também houve ampliação do apoio a oposições em sindicatos como dos rodoviários da Baixada Fluminense e de São Gonçalo, nos Correios e na Comlurb. Darby ressalta, ainda, a proximidade com os trabalhadores informais organizados – os camelôs – e a presença forte junto aos trabalhadores domésticos de Nova Iguaçu, Volta Redonda e Rio de Janeiro, demonstrando que a CUT dá a devida importância às categorias “invisíveis” do mundo do trabalho.

O presidente da CUT-RJ considera que a marca de sua gestão foi a aproximação com os movimentos sociais e populares. O maior exemplo disso foi o apoio à organização dos trabalhadores ambulantes do município do Rio de Janeiro, que criaram dentro da CUT o Movimento Único dos Camelôs – MUCA. “Temos hoje um quadro importante, a Maria dos Camelôs, uma liderança dos trabalhadores ambulantes e dos moradores de ocupações e moradias populares, que se formou aqui com a gente, dentro da CUT”, destaca o sindicalista.

Regional e nacional

Desde o início da briga contra a redistribuição dos royalties do petróleo, a CUT tomou posição. “Estive em Brasília e questionei diretamente o deputado Ibsen Pinheiro, autor da emenda que muda a lei dos royalties. Disse a ele que esta é uma emenda oportunista”, relata Darby. Em sua gestão, a CUT se declarou publicamente a favor do Marco Regulatório do Petróleo, contra os leilões de áreas de exploração e a favor da destinação dos recursos do pré-sal de acordo com as determinações do Fundo Social do Pré-Sal. “Não estamos propondo que se mexa na política de royalties dos campos que já existem. Não se rasga contrato, não se mexe nos já licitados. Temos que discutir o futuro”, defende.

Darby faz questão de destacar, também, o apoio dado pela CUT-RJ à eleição de Dilma Roussef para a presidência. “Elegemos a primeira mulher presidenta do Brasil e a CUT-RJ participou ativamente. Montamos um comitê sindical que era o maior de todos os comitês do estado. Neste espaço, tivemos uma movimentação importante, com a presença de quadros destacados do PT, como José Dirceu, Graça Foster, Lindberg Farias, participando de debates excelente dentro do nosso comitê”, lembra o dirigente.

Mas o apoio à eleição não trouxe benesses à central. “O governo Dilma é mais técnico, mais fechado. Precisamos ampliar as discussões com o governo federal e estamos insistindo nisso, porque a CUT tem muito que contribuir”, avalia o dirigente.

Outra luta importante que a CUT vem travando é a da reforma sindical. “Se a reforma não acontecer, temos que impor algumas mudanças, como o fim do imposto e da unicidade sindical. Costumo dizer que ou o movimento sindical acaba com o imposto, ou o imposto acaba com o movimento”, defende Darby. O sindicalista ressalta que a taxa paga anualmente por todos os trabalhadores acaba estimulando a criação de entidades que não têm representação, os “sindicatos de cartório”, fundados apenas para receber seu quinhão do imposto. “Isso aconteceu muito na gestão Lupi à frente do Ministério do Trabalho, que deu reconhecimento a estes sindicatos. Esperamos que, agora, com Brizola Neto à frente da pasta, esta situação mude. Ele é um apoiador de primeira hora da candidatura de Dilma Roussef e pode vir para democratizar Ministério”, acredita Darby.

Para frente

As obras de grande porte que estão acontecendo no Rio de Janeiro e os conflitos trabalhistas decorrentes delas estão recebendo especial atenção da CUT-RJ. O maio exemplo disso foi o apoio dado à grave dos trabalhadores do Comperj, o Complexo Petroquímico da Petrobras, que está sendo construído em Itaboraí. “As empreiteiras se consorciam e se organizam para explorar os trabalhadores, pagando piso rebaixado. É por este tipo de situação que a CUT luta pelo piso nacional da construção civil”, destaca o sindicalista. As empreiteiras continuam tratando os trabalhadores como mão de obra de segunda categoria, mas o perfil dos profissionais da construção civil mudou. “O peão de hoje faz contas, sabe que está sendo explorado e isso acaba levando à greve, como aconteceu também nas obras do Maracanã”, cita Darby.

A reforma do principal estádio carioca leva também à discussão sobre os grandes eventos esportivos que vão acontecer no Rio de Janeiro. As obras e intervenções no espaço urbano estão levando transtornos a todas as partes da cidade. É o caso das comunidades que estão sendo removidas e dos imóveis residenciais – de todas as classes – e comerciais que são desapropriados para ceder espaço às vias de tráfego e equipamentos esportivos. “Estes problemas têm que ser discutidos não só com os trabalhadores que fazem as obras, mas com toda a sociedade, que está sendo afetada. Os eventos passam, mas o que eles deixam para trás?”, questiona Darby.

É também com os olhos voltados para o futuro que a CUT vai participar da Rio+20, sobretudo das atividades paralelas. Além da participação na Cúpula dos Povos – aí incluída a Marcha dos Movimentos Sociais, marcada para 20/06 – a central está se preparando para o Encontro Sindical, que acontece antes da conferência, e terá a participação de sindicalistas do mundo todo. A presença de representantes dos trabalhadores no evento que discute meio ambiente é óbvia para Darby: “Os seres humanos dependem da matéria-prima que retiram da natureza. E no processo de produção e transformação da matéria-prima, entram os trabalhadores. Daí vem a luta capital x trabalho, e temos que fortalecer a luta dos trabalhadores”, destaca. Para o sindicalista, a preocupação ambiental passa necessariamente pelo debate do trabalho e das condições de vida dos trabalhadores. “Temos, por exemplo, a questão da mobilidade urbana, que envolve saúde, moradia, transporte e geração de empregos dignos e adequadamente remunerados. Uma pessoa que mora numa comunidade sem estrutura de esgoto e coleta de lixo, que tem que pegar várias conduções para chegar ao local de trabalho, está sujeita a contrair doenças e degradar o meio ambiente. Isso se torna um problema ambiental e de saúde pública”, esclarece o presidente da CUT-RJ.

Congressos

Todas estas discussões vão passar pelo 14º CECUT, que acontece nos dias 1º, 02 e 03 de junho, no Rio de Janeiro. Além da eleição da nova diretoria – Darby é candidato à reeleição – e da definição dos delegados ao congresso da CUT Nacional, o evento terá muitos debates. As discussões passam por assuntos variados, obedecendo à orientação de manter a central sempre próxima da sociedade e destacando sua força política. “Queremos trazer o Zé Dirceu para o nosso congresso, não só pela contribuição que ele pode dar, como o quadro importante que é na esquerda brasileira. Mas também porque precisamos entrar pesado na discussão sobre as reformas no Judiciário, que criminaliza quadros históricos da política sem lhes dar o direito constitucional à ampla defesa. Este Judiciário está a serviço de interesses da elite que não aceita a ascensão dos trabalhadores, assim como a imprensa hegemônica, que se antecipa aos fatos e condena antecipadamente”, destaca o dirigente.

A briga contra o Judiciário e o chamado PIG – partido da imprensa golpista – é só um dos pontos em que fica clara a posição da CUT, que será reafirmada nos congressos regionais e no Concut. “Nós, trabalhadores, temos lado. É o lado da democracia, da garantia e da ampliação de direitos, da democratização da imprensa e do judiciário”, resume Darby.

Fonte: Feeb-RJ/ES




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