Nota de pesar: Zilah Abramo

Nossa querida Zilah Wendel Abramo (1926-2018) faleceu hoje em sua residência em São Paulo.

Escrito por: CUT Rio • Publicado em: 16/08/2018 - 21:47 • Última modificação: 16/08/2018 - 21:54 Escrito por: CUT Rio Publicado em: 16/08/2018 - 21:47 Última modificação: 16/08/2018 - 21:54

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Fundadora do Partido dos Trabalhadores, em 1996, integrou o grupo que deu continuidade aos estudos e propostas esboçados por Perseu Abramo para constituição da fundação que seria criada pelo partido. Quando esta foi instituída, foi indicada pelo Diretório Nacional do PT para compor a primeira diretoria, tendo exercido o cargo de vice-presidente de 1996 a 2003 e de presidenta do Conselho Curador de 2003 a 2012, quando foi alçada a presidenta de honra dessa instância.

Em 1952, Zilah casou-se com Perseu Abramo. Sobre essa união ela escreveu em Teoria e Debate: “Pelo horóscopo chinês, nosso casamento não poderia durar. A serpente (Perseu), que é o símbolo da sabedoria e da prudência, não poderia conviver com o tigre (Zilah), impetuoso e imprevisível, que tanto pode se tornar um herói quanto um bandido. Contrariando essa previsão, rindo da sabedoria oriental, vivemos juntos mais de 43 anos”. Tiveram cinco filhos: Laís, Mario, Helena, Bia e Marta.

Formada em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo, costumava dizer que sua única contribuição para a Sociologia brasileira foi participar, com Perseu, da formação de duas filhas sociólogas. Tendo trabalhado na administração pública, especialmente na área de recursos humanos, foi professora, também nessa área, apenas por dois anos (1962 a 1964), na Universidade de Brasília.

Nos anos 1950 militou no Partido Socialista Brasileiro (PSB) e, na década de 1970, Zilah participou ativamente do movimento pela redemocratização do país e junto ao Comitê Brasileiro pela Anistia (CBA-SP). Na Fundação Perseu Abramo não deixava passar a oportunidade de relembrar os momentos mais significativos de resistência da esquerda brasileira, como contra o Golpe de 1964 e o AI-5, o assassinato de Vladimir Herzog, as greves do ABC, o movimento pela Anistia, a fundação do PT e a campanha das Diretas Já. Frisava sempre a importância de rememorar os fatos passados e completar as lacunas de informação existentes. Foi co-organizadora com Flamarion Maués do livro Pela Democracia, Contra o Arbítrio: A oposição democrática, do golpe de 1964 à campanha das Diretas Já, editado pela Fundação, coletânea de depoimentos e artigos publicados nas páginas especiais produzidas pela Fundação Perseu Abramo em seu portal.

Orgulhava-se muito de algumas amizades, mencionemos uma simbólica para não sermos injustos com as demais, a que dedicava a Antonio Candido. “Fomos companheiros no PSB dos anos 50, continuamos a lutar com as mesmas bandeiras, na resistência contra a ditadura, especialmente na grande greve do funcionalismo de 1979, quando ele atuava como vice-presidente da Adusp e eu integrava as hostes da Saúde. Finalmente nos encontramos no Colégio Sion, no dia da fundação do PT. Quando vi Antonio Candido, entre os demais companheiros do PSB antigo, tive a certeza de que estava no lugar certo”.

Uma descrição de Zilah, sem referência à sua fiel devoção ao time do coração, ficaria inacabada. “Os corintianos, como nós dois, não se deixam abater pelos momentos difíceis da vida”, escreveu a José Genoino em outubro de 2012.

Informações
O velório será  realizado amanhã ( sexta-feira, 17/08) das 9h às 15h no Funeral Home, à rua São Carlos do Pinhal, 376, em São Paulo, e o enterro às 17h no Cemitério Gethsêmani, no Morumbi.

Depoimentos

"O Brasil perde hoje uma de suas maiores referências na luta contra a ditadura. A morte de Zilah Abramo causa tristeza a todos nós, que  admiramos por tanto tempo sua força e coragem permanentes na luta pelos direitos humanos. Foi incansável quando o Brasil estava mergulhado na treva".

Dilma Rousseff, presidenta do Conselho Curador da Fundação Perseu Abramo e presidenta da República eleita

"Tive a alegria de ser companheiro de trabalho de Zilah Abramo na Fundação Perseu Abramo durante mais de 20 anos. Primeiramente, ela como vice-presidente e eu como diretor. Depois, ela como presidenta do Conselho Curador e eu como vice-presidente e posteriormente presidente. Nessa longa convivência de trabalho, nossa confiança mútua cresceu, embora ela sempre mais combativa e mais otimista que eu.

Nesse período, ela deixou de ser apenas a mãe de meus amigos Laís, Mário, Lena, Bia e Marta e passou a ser minha companheira e amiga Zilah. Descanse em paz.

Ricardo Azevedo, ex-presidente da Fundação Perseu Abramo

Via Fundação Perseu Abramo

Título: Nota de pesar: Zilah Abramo, Conteúdo: Fundadora do Partido dos Trabalhadores, em 1996, integrou o grupo que deu continuidade aos estudos e propostas esboçados por Perseu Abramo para constituição da fundação que seria criada pelo partido. Quando esta foi instituída, foi indicada pelo Diretório Nacional do PT para compor a primeira diretoria, tendo exercido o cargo de vice-presidente de 1996 a 2003 e de presidenta do Conselho Curador de 2003 a 2012, quando foi alçada a presidenta de honra dessa instância. Em 1952, Zilah casou-se com Perseu Abramo. Sobre essa união ela escreveu em Teoria e Debate: “Pelo horóscopo chinês, nosso casamento não poderia durar. A serpente (Perseu), que é o símbolo da sabedoria e da prudência, não poderia conviver com o tigre (Zilah), impetuoso e imprevisível, que tanto pode se tornar um herói quanto um bandido. Contrariando essa previsão, rindo da sabedoria oriental, vivemos juntos mais de 43 anos”. Tiveram cinco filhos: Laís, Mario, Helena, Bia e Marta. Formada em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo, costumava dizer que sua única contribuição para a Sociologia brasileira foi participar, com Perseu, da formação de duas filhas sociólogas. Tendo trabalhado na administração pública, especialmente na área de recursos humanos, foi professora, também nessa área, apenas por dois anos (1962 a 1964), na Universidade de Brasília. Nos anos 1950 militou no Partido Socialista Brasileiro (PSB) e, na década de 1970, Zilah participou ativamente do movimento pela redemocratização do país e junto ao Comitê Brasileiro pela Anistia (CBA-SP). Na Fundação Perseu Abramo não deixava passar a oportunidade de relembrar os momentos mais significativos de resistência da esquerda brasileira, como contra o Golpe de 1964 e o AI-5, o assassinato de Vladimir Herzog, as greves do ABC, o movimento pela Anistia, a fundação do PT e a campanha das Diretas Já. Frisava sempre a importância de rememorar os fatos passados e completar as lacunas de informação existentes. Foi co-organizadora com Flamarion Maués do livro Pela Democracia, Contra o Arbítrio: A oposição democrática, do golpe de 1964 à campanha das Diretas Já, editado pela Fundação, coletânea de depoimentos e artigos publicados nas páginas especiais produzidas pela Fundação Perseu Abramo em seu portal. Orgulhava-se muito de algumas amizades, mencionemos uma simbólica para não sermos injustos com as demais, a que dedicava a Antonio Candido. “Fomos companheiros no PSB dos anos 50, continuamos a lutar com as mesmas bandeiras, na resistência contra a ditadura, especialmente na grande greve do funcionalismo de 1979, quando ele atuava como vice-presidente da Adusp e eu integrava as hostes da Saúde. Finalmente nos encontramos no Colégio Sion, no dia da fundação do PT. Quando vi Antonio Candido, entre os demais companheiros do PSB antigo, tive a certeza de que estava no lugar certo”. Uma descrição de Zilah, sem referência à sua fiel devoção ao time do coração, ficaria inacabada. “Os corintianos, como nós dois, não se deixam abater pelos momentos difíceis da vida”, escreveu a José Genoino em outubro de 2012. Informações O velório será  realizado amanhã ( sexta-feira, 17/08) das 9h às 15h no Funeral Home, à rua São Carlos do Pinhal, 376, em São Paulo, e o enterro às 17h no Cemitério Gethsêmani, no Morumbi. Depoimentos O Brasil perde hoje uma de suas maiores referências na luta contra a ditadura. A morte de Zilah Abramo causa tristeza a todos nós, que  admiramos por tanto tempo sua força e coragem permanentes na luta pelos direitos humanos. Foi incansável quando o Brasil estava mergulhado na treva. Dilma Rousseff, presidenta do Conselho Curador da Fundação Perseu Abramo e presidenta da República eleita Tive a alegria de ser companheiro de trabalho de Zilah Abramo na Fundação Perseu Abramo durante mais de 20 anos. Primeiramente, ela como vice-presidente e eu como diretor. Depois, ela como presidenta do Conselho Curador e eu como vice-presidente e posteriormente presidente. Nessa longa convivência de trabalho, nossa confiança mútua cresceu, embora ela sempre mais combativa e mais otimista que eu. Nesse período, ela deixou de ser apenas a mãe de meus amigos Laís, Mário, Lena, Bia e Marta e passou a ser minha companheira e amiga Zilah. Descanse em paz. Ricardo Azevedo, ex-presidente da Fundação Perseu Abramo Via Fundação Perseu Abramo



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