Ocupação da UERJ já atinge todos os Campi

Desde a noite da última segunda-feira estudantes ocupam a universidade em decorrência do agravamento da situação de permanência de cotistas e não pagamento de terceirizados.

Escrito por: CUT-RJ • Publicado em: 01/12/2015 - 18:28 • Última modificação: 01/12/2015 - 18:38 Escrito por: CUT-RJ Publicado em: 01/12/2015 - 18:28 Última modificação: 01/12/2015 - 18:38

Rafael Caliari Assembleia de estudantes delibera pautas da ocupação

A situação na Universidade do Estado do Rio de Janeiro está, segundo os estudantes, "caótica". Após o anúncio do reitor da suspensão das atividades por uma semana devido a falta de verba para manter as portas abertas, a universidade avisou aos funcionários o pagamento parcial do salário. Já para os terceirizados, receber parte dos salários é uma realidade um pouco melhor do que a atual. Sem pagamento nos últimos dois meses, recebem somente o vale transporte e vale alimentação. 
 
ALUNOS 
 
Quadros estufados, carteiras quebradas, portas danificadas, banheiros inutilizáveis e manutenção por fazer, esses problemas são antigos dos alunos e a ocupação tem como um dos objetivos debater estes pontos, porém ela emerge de uma questão mais profunda e urgente. A grande emergência que levou as barracas a serem armadas e faixas levantadas é o que há de mais precioso em uma universidade: o ser humano que a constrói e dá sentido. 
 


A UERJ foi a primeira universidade a adotar o sistema de cotas. Pioneira na inclusão e democratização do ensino superior público, deixa agora os alunos cotistas sem as bolsas que os mantém na universidade. O sonho de receber um diploma de ensino superior, mestrado e doutorado esbarra na frágil e dura realidade de não poder continuar estudando por falta de recursos. Jovens que dependem de suas bolsas de pesquisa e que contribuem para a criação de conhecimento do país também se encontram desamparados. 
 
TERCEIRIZADOS 
 
A vida dos terceirizados tem sido ainda mais cruel. Sem salários nos últimos dois meses, não tem previsão de quando receberão mais do que o transporte para trabalhar e o alimento para sobreviver. Andando pelos corredores da UERJ e conversando com alguns deles, as histórias impressionam. Um destes trabalhadores, morador de área de risco, teve que deixar as pressas sua casa depois de ameaças por não ter pago o aluguel. Hoje procura uma sala escondida em algum canto da universidade para dormir. Com medo das represálias, não mostram o rosto ou cedem entrevistas aos veículos de imprensa com medo de perder o emprego, que mais se assemelha a um regime de escravidão. 
 
Denúncias ouvem-se aos montes, número insuficiente de trabalhadores e condições de trabalho que não suportam a limpeza de instalações daquele porte. Timidamente conversam com os alunos da ocupação demonstrando seu apoio e sabendo que a luta também os incluí. 
 
RESPOSTA 
 
Os cortes parecem ter sido empregados inclusive nas palavras. Até o momento a única manifestação por parte da reitoria foi uma curta frase no site da UERJ que não indica nenhum caminho ou posicionamento claro para das demandas e tem sido chamada de "resposta tweet" pelos alunos: 
 
"A manifestação pacífica dos estudantes é legítima e motivada. 
Ricardo Vieiralves 
Reitor"                          
 

 


 

Título: Ocupação da UERJ já atinge todos os Campi, Conteúdo: A situação na Universidade do Estado do Rio de Janeiro está, segundo os estudantes, caótica. Após o anúncio do reitor da suspensão das atividades por uma semana devido a falta de verba para manter as portas abertas, a universidade avisou aos funcionários o pagamento parcial do salário. Já para os terceirizados, receber parte dos salários é uma realidade um pouco melhor do que a atual. Sem pagamento nos últimos dois meses, recebem somente o vale transporte e vale alimentação.    ALUNOS    Quadros estufados, carteiras quebradas, portas danificadas, banheiros inutilizáveis e manutenção por fazer, esses problemas são antigos dos alunos e a ocupação tem como um dos objetivos debater estes pontos, porém ela emerge de uma questão mais profunda e urgente. A grande emergência que levou as barracas a serem armadas e faixas levantadas é o que há de mais precioso em uma universidade: o ser humano que a constrói e dá sentido.    A UERJ foi a primeira universidade a adotar o sistema de cotas. Pioneira na inclusão e democratização do ensino superior público, deixa agora os alunos cotistas sem as bolsas que os mantém na universidade. O sonho de receber um diploma de ensino superior, mestrado e doutorado esbarra na frágil e dura realidade de não poder continuar estudando por falta de recursos. Jovens que dependem de suas bolsas de pesquisa e que contribuem para a criação de conhecimento do país também se encontram desamparados.    TERCEIRIZADOS    A vida dos terceirizados tem sido ainda mais cruel. Sem salários nos últimos dois meses, não tem previsão de quando receberão mais do que o transporte para trabalhar e o alimento para sobreviver. Andando pelos corredores da UERJ e conversando com alguns deles, as histórias impressionam. Um destes trabalhadores, morador de área de risco, teve que deixar as pressas sua casa depois de ameaças por não ter pago o aluguel. Hoje procura uma sala escondida em algum canto da universidade para dormir. Com medo das represálias, não mostram o rosto ou cedem entrevistas aos veículos de imprensa com medo de perder o emprego, que mais se assemelha a um regime de escravidão.    Denúncias ouvem-se aos montes, número insuficiente de trabalhadores e condições de trabalho que não suportam a limpeza de instalações daquele porte. Timidamente conversam com os alunos da ocupação demonstrando seu apoio e sabendo que a luta também os incluí.    RESPOSTA    Os cortes parecem ter sido empregados inclusive nas palavras. Até o momento a única manifestação por parte da reitoria foi uma curta frase no site da UERJ que não indica nenhum caminho ou posicionamento claro para das demandas e tem sido chamada de resposta tweet pelos alunos:    A manifestação pacífica dos estudantes é legítima e motivada.  Ricardo Vieiralves  Reitor                                



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