Plano Municipal de Educação – RJ: Atrasado e Ultrapassado.

O plano a ser discutido nas próximas semanas, além de estar atrasado em seu calendário, é um plano com concepções ultrapassadas.

Escrito por: CUT RIO • Publicado em: 03/04/2017 - 11:14 • Última modificação: 17/05/2017 - 17:23 Escrito por: CUT RIO Publicado em: 03/04/2017 - 11:14 Última modificação: 17/05/2017 - 17:23

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Plano Municipal de Educação – RJ: Atrasado e Ultrapassado. No dia seis de abril de 2017 deverá ser realizada a votação do PME, Plano Municipal de Educação da cidade do Rio de Janeiro, em sessão dupla na Câmara Municipal. Essa urgência em se votar em um só dia o plano pode ser devido ao fato do Rio de Janeiro ser o único município dentro do Estado todo que ainda não possui um. Essa demora em colocar em vigor o PME, além de não dar um direcionamento nas ações educacionais do município, acarreta em perdas de verbas para o ensino. O plano a ser discutido nas próximas semanas, além de estar atrasado em seu calendário, é um plano com concepções ultrapassadas. Insiste na meritocracia para a melhoria do desempenho escolar como está exposto na estratégia 7.33: “estabelecer políticas de estímulo às escolas que melhorarem o desempenho no IDEB, de modo a valorizar o mérito do corpo docente, da direção e da comunidade escolar”.

Outro ponto que precisamos sinalizar é que o PME propõe em vários momentos que os professores de diversas modalidades da educação se articulem entre si e desenvolvam atividades e projetos em comum. Porém precisamos lembrar que em muitas escolas do município não é garantido o um terço extra classe do docente. Profissionais da rede ainda sofrem sem um plano de carreira unificado e com pouco estímulo para a continuidade de sua formação. Ainda que ultrapassado, o plano apresenta pontos positivos que devemos defender fortemente durante as discussões. Entre eles, a progressão de 10% das verbas para a educação, que garante um mínimo para um ensino de qualidade e o combate a desigualdade de gênero, classe, raça, etnia, geração, orientação sexual e deficiência. Esta última estratégia da meta de inclusão vêm sofrendo ataques pela questão da desigualdade de gênero. Setores conservadores da câmara defendem a supressão do termo. Como cita o pesquisador Bruno Rossato em sua pesquisa: "Os defensores dessa educação acreditam, de modo equivocado, que falar de gênero e sexualidade nas escolas afeta o desenvolvimento das crianças, pois as mesmas seriam “influenciadas” a fazer escolhas consideradas fora da 'normalidade'." Porém vivemos numa sociedade machista e precisamos combater a desigualdade entre meninos e meninas que aparecem desde os anos iniciais de ensino. Um exemplo simples é que o Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA) concluiu : "muitas meninas optam por não seguir carreiras em ciência, tecnologia, engenharia e matemática porque elas não têm confiança na sua capacidade para se destacar nessas áreas, apesar de terem as habilidades para fazê-lo". Os debates acerca do Plano Municipal de Educação afetam o município como um todo e por isso nós da CUT RJ conclamamos não só aos educadores e educadoras entrarem nessa discussão, mas todas as categorias, e a sociedade civil como um todo e juntos definirmos os rumos da educação pelos próximos dez anos.

Duda Quiroga Secretária de Comunicação CUT RJ, Mel Cardoso Núcleo de Educação Infantil do SEPE

Título: Plano Municipal de Educação – RJ: Atrasado e Ultrapassado., Conteúdo: Plano Municipal de Educação – RJ: Atrasado e Ultrapassado. No dia seis de abril de 2017 deverá ser realizada a votação do PME, Plano Municipal de Educação da cidade do Rio de Janeiro, em sessão dupla na Câmara Municipal. Essa urgência em se votar em um só dia o plano pode ser devido ao fato do Rio de Janeiro ser o único município dentro do Estado todo que ainda não possui um. Essa demora em colocar em vigor o PME, além de não dar um direcionamento nas ações educacionais do município, acarreta em perdas de verbas para o ensino. O plano a ser discutido nas próximas semanas, além de estar atrasado em seu calendário, é um plano com concepções ultrapassadas. Insiste na meritocracia para a melhoria do desempenho escolar como está exposto na estratégia 7.33: “estabelecer políticas de estímulo às escolas que melhorarem o desempenho no IDEB, de modo a valorizar o mérito do corpo docente, da direção e da comunidade escolar”. Outro ponto que precisamos sinalizar é que o PME propõe em vários momentos que os professores de diversas modalidades da educação se articulem entre si e desenvolvam atividades e projetos em comum. Porém precisamos lembrar que em muitas escolas do município não é garantido o um terço extra classe do docente. Profissionais da rede ainda sofrem sem um plano de carreira unificado e com pouco estímulo para a continuidade de sua formação. Ainda que ultrapassado, o plano apresenta pontos positivos que devemos defender fortemente durante as discussões. Entre eles, a progressão de 10% das verbas para a educação, que garante um mínimo para um ensino de qualidade e o combate a desigualdade de gênero, classe, raça, etnia, geração, orientação sexual e deficiência. Esta última estratégia da meta de inclusão vêm sofrendo ataques pela questão da desigualdade de gênero. Setores conservadores da câmara defendem a supressão do termo. Como cita o pesquisador Bruno Rossato em sua pesquisa: Os defensores dessa educação acreditam, de modo equivocado, que falar de gênero e sexualidade nas escolas afeta o desenvolvimento das crianças, pois as mesmas seriam “influenciadas” a fazer escolhas consideradas fora da normalidade. Porém vivemos numa sociedade machista e precisamos combater a desigualdade entre meninos e meninas que aparecem desde os anos iniciais de ensino. Um exemplo simples é que o Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA) concluiu : muitas meninas optam por não seguir carreiras em ciência, tecnologia, engenharia e matemática porque elas não têm confiança na sua capacidade para se destacar nessas áreas, apesar de terem as habilidades para fazê-lo. Os debates acerca do Plano Municipal de Educação afetam o município como um todo e por isso nós da CUT RJ conclamamos não só aos educadores e educadoras entrarem nessa discussão, mas todas as categorias, e a sociedade civil como um todo e juntos definirmos os rumos da educação pelos próximos dez anos. Duda Quiroga Secretária de Comunicação CUT RJ, Mel Cardoso Núcleo de Educação Infantil do SEPE



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